quinta-feira, 23 de julho de 2009

vá com deus, que eu também vou.

amor,

estou lhe escrevendo porque pronunciar o que preciso dizer dói demais. coisas ditas em voz alta são mais intempestivas e não possuem o filtro da borracha. além disso, corro o risco de amolecer e mudar de idéia, caso diante de você. prefiro assim.

está chovendo há dias, há meses, há anos, e a sensação é a de que você nunca vai chegar e de que sempre vai chover. como já vivi bastante, não sou tola a ponto de achar que a essa altura da vida você vá me presentear com sua presença constante. nem mesmo agora, com os filhos crescidos e barbados, nem mesmo avô, creio que crie coragem de enfrentar sua adorável esposa e deixá-la. ela que, a propósito, é uma outra coitada, assim como eu. deixo claro, tardiamente, que nunca tive a intenção de magoar sua senhora. ao contrário, me maldisse todos os dias por ter escolhido o homem errado, o de outra. traí uma mulher e, assim, minha própria dignidade. diga isso a ela. diga que tive escolha, sim, mas escolhi errônea e inconscientemente, não exaurindo a culpa. diga também que ela tem sorte de saber a arte de engolir mágoas, de aceitar tão passivamente um imbróglio - ou vários, vai saber. tanta resignação é digna de prêmios. tem, por fim, a sorte de ter você.

graças a deus, não sou mais quem fui e me arrependo de ter insistido tanto em tão pouco. amar sozinha não vale de nada. se me amou, de fato, fez questão de me dar só migalhas. e fui assim me contentando, me humilhando, me escondendo, me conformando. em algum ponto da história, li os sinais de outra forma; perdão. achei que fôssemos envelhecer e morrer juntos, segurando as mãos tenra e suavemente. mas cá estou a perecer ao modo como gastei a vida: sozinha e a esperar o amor que - só agora - entendi que nunca virá. só me resta pedir que me sejam absolvidos os pecados.

saiba que sempre lhe amei - que o fiz e faço com a mesma constância da minha respiração -, mas que desisto de lutar por entender ser vã a luta.

adeus, meu amor.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

por tudo o que não será.

eles tentaram tudo, eu acho. eles também acham. foram longos anos achando. até que os achismos não sustentaram mais a falta de compatibilidade, a falta de empatia, a falta deles mesmos.

conheceram-se de modo muito heterodoxo. ambos mentiram para parecerem mais interessantes. tempos depois, deram boas risadas com as histórias inventadas e não pensaram absurdos quando descobriram que era tudo farsa. só se admiraram com a vontade de estar junto, que acabou por criar novas realidades para cada.

os anos foram generosos. os amigos queriam ter o mesmo para si. também queriam ter encontrado tudo o que queriam tão cedo. liberdade, cumplicidade, companheirismo, carinho a olhos vistos. dinheiro faltava, dinheiro sobrava; tudo era motivo para uni-los ainda mais. os planos não paravam de crescer.

e, com menos drasticidade do que se esperava, os tais planos também mudaram. nem perceberam quando já queriam expandir as perspectivas, crescer profissionalmente, dedicar-se aos amigos, conhecer pessoas novas, viver outras histórias. tudo foi ficando pesado demais, complicado demais, indissolúvel demais. não sabiam mais se eram bons juntos, mas admitir era o começo do fim, e também não o queriam. as risadas eram raras, escassas e tristes, de certo modo. o ciúme veio com força, mas não por medo de perder, só por posse, só por costume,
só por ser uma chateação a mais, beirando o desrespeito presumido. as (agora constantes) brigas faziam chorar, gritar de desespero e dor. não passavam mais tanto tempo juntos, mal se viam em casa. buscavam viagens para pensar, sozinhos, se ficar valia o esforço. se ainda havia meios para salvar o que um dia fora tudo. os amigos, antes cheios de inveja, agora só colhiam constragimento ao vê-los hostis em sua presença. era penoso assistir a tudo e impossível não se lamentar tentando imaginar como tudo chegara àquele ponto.

só se sabe quão longe se foi quando não há mais meios para voltar.

e decidiram ir embora.
não de um lugar específico, mas de dentro de si.
e foram infelizes para sempre.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

this is what you get when you mess with us.

e aí, quer? quero, mas não muito. esse tá bom, hein?! ah, pára, nem tá tão bom assim. pô, tá massa. eu também gostei. suaaave. e como é que vocês tão? ah, eu tô bem. eu também. ai, meu pé tá embaixo do meu corpo, vou ajeitar. canta aí um pouco, menina. é, toca pra gente. não, gente, que vergonha. ah, vai dizer que tu não já tá se garantindo? eu treino muito, mas ninguém quer me ouvir... fulano é foda mesmo, não presta atenção em nada. em nada além dele, claro. né? é, é horrível. mas toca bem que só a porra, ave maria. tocar por tocar, eu também toco, olha aí. valha, todo se amostrando pras visita. se aquieta, menino. é, a gente não tá achando graça, não. tá, gente, parei. ô. égua, ninguém sabe brincar. eu tô é com sede. tá bom, vou pegar água, pera. tudo bem aí? acho que sim, na limpeza. e tu? sob controle, querida, obrigada. querida? valha, e a formalidade? nada, eu sou educada. educada?! pff. não zomba, hein?! alguém ainda usa zombar?! não, agora é só frescar. iiieeeeeiiiiiiii. hahaha. cadê o violão? e ela vai tocar? vai, lógico. toco nada, só arranho. ai, que gracinha. pronto, baixou a hebe na outra. hahaha. tem que ser karma police, do radiohead. eu não sei a letra. eu também não. isso a gente resolve. imprime ali. eu? é. e quantas eu imprimo? sei lá, acho que quatro. quatro é muito, melhor só uma. tu sabe a letra, né? mais ou menos. mas já dá, então. é, eu acho. ah, tu que não sabe, né? é. então tu que fica com a folha. tô sem cartucho aí. só tem um restinho, e essa louca querendo imprimir quatro. louca é tu. eu sou homem, sou louco. tu que diz, vai saber. toca logo, porra. eu tava insinuando que tu é baitola e tu nem ligou. eu não sou. eu já ouvi gente duvidando. manda todo o mundo pra putaqueopariu. eu vou junto, eu vou junto. louca. sim, vocês dois, cadê karma police? ah, é. é, bora. tu começa. oh, menina, o violão tá com quem? tá, eu começo. mas minha voz é feia pra acompanhar. bora. karma police/arrest this man/he talks in maths... pô, tu errou. errei não. errou, ó. valha, foi. pô, que massa; he buzzes like a fridge/he's like a detuned radio. o cara é um rádio, que mazela. que tipo de cara seria um rádio que falta sintonia? ah, sei lá. rádio ruim. pô, que louco. é. karma police/arrest this girl/her hitler hairdo is making me feel ill... como é esse hitler hairdo? é cabelo do estilo daquele do hitler. valha. como é que uma menina tem um cabelo desse? e-mo. nada disso. emo? isso aí é muito contraditório. se o próprio hitler tinha esse cabelo... como assim "e-mo"? olha, admitindo a existência de meninas sem cabelo, uma que tiver o seu com estilo do hitler tá no lucro. hahaha. tu é muito engraçada. this is what you get/this is what you get... tu pulou uma parte. é, mas tu cantou fora do ritmo a parte que eu pulei. e tu que é a dona do ritmo, é? quem falou em um dono pro ritmo? tu, aí, se julgando toda cheia de ritmo. eu só sei que ela errou aí no violão, me fez errar também. eu não errei nada, ó: this is what you get. hahaha. merda, errei. tu atrapalhou. a dona do ritmo e a do violão não sabem cantar nem tocar karma police. vou dizer pro radiohead. o radiohead não é uma pessoa, tu sabe, né? sei. não, não sabia. oh, putaria. que é que tem? tô nem vendo. é, já que tu vai dar um jeito de o radiohead saber, o resto é besteira. hahahaha. eu tô com sede. valha, já são duas horas? já. voou, mansh. tu tá muito doida. tô é cansada. ei, a menina ali não tá se mexendo muito, não. a menina ali tem nome. sim, eu esqueci, pode não? falta de consideração esquecer o nome da menina. cala a boca que não dá pra lembrar numa hora dessas. dá, sim. vamo, gata, levanta. quero água. manda ele pegar, ora. mando não, eu tenho vergonha. só o que me faltava. eu quero ir embora. pô, a arte é massa. lembrei do picasso agora. guernica é massa. é, é massa. acorda, gata. tu também não sabe o nome dela, né? sei. é... hahaha. sabe nada. a menina tá precisando de ti, cala a boca. calo não. ai, vai ser ferrar. ei, gente, eu ainda quero água. vá pegar. será que hitler era gay mesmo? que diferença faz? foi um filhodaputa que matou um monte de gente só pra se sentir melhor. o sexo não interessa. o sexo sempre interessa. só se for pra você. eu vou pra casa. mas eu acho que ele era gay. tem reportagem aí sugerindo isso. eu vi uma foi do mussolini, que gay era ele. sério? o da itália, né? tu não estudou história, não? estudei, pô. como é que tu pergunta, em voz alta, se mussolini era o da itália? porra. ah, sei lá. ei, eu quero água. tu ainda não foi pegar? não. eu quero é ir embora. bora, bora, vou também. e a bagunça? deixa aí pra quando ela acordar. por que tu lembrou de hitler? por causa da música. ah, é, hitler hairdo. foi. bizarro, né, alguém usar o cabelo do hitler? ainda mais mulher. eu acho normal, besteira. tchau, moças. tchaaau, geeente! valha, como é louca. e tu dirige? eu não, tô cansada. tá, eu vou. tu tem chave? tenho. será que dá? dá, bora.


[essa é uma obra de ficção. hahaha.]

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

outro suspiro.

outro suspiro. o mesmo de todas as outras vezes. já conheço a intensidade, o tanto de ar que me falta durante; aquele suspiro. à medida que ele se prepara para ir embora do nosso café - só nosso -, penso no tamanho do pesar que é não poder ficar mais, não poder aproveitar mais. já é hora de encontrá-la. ela, que não eu. luto, em vão, contra aquela lágrima que quer pular de seu próprio abismo, e a angústia arranca sempre mais do mesmo, mais de mim a cada despedida, a cada abraço, a cada vez que o carro pára em frente ao portão branco; sinal claro de que é hora de desembarcar sozinha. sensata, disfarço; praxe minha. inconsolável, e sem meios de fazer com que seja diferente, desço já de chave na mão, envolta numa frustração que me impede de dizer, mais uma vez, que quero tudo, todos os dias: o tal pacote completo. ele dá a partida. ciao, bella, ele diz. acho que te ligo ainda essa semana. e até liga, e sequer demora, mas só quando ela aborrece por nada ou discute demais, o que é freqüente. sorte minha, eu acho. entro, passo pela cozinha como se em corrida de obstáculos. a mãe aborrece, pergunta o porquê da cara feia e oferece montanhas de comida, que só pode ser fome mesmo. ignoro a tentativa e consigo chegar ao quarto. a porta, compadecida, quase que se fecha sozinha; ajuda de quem faz favor. falo aqui da piedade aparente das coisas inanimadas, que a tudo testemunham. a cabeça dá nós de fazer desmaiar, e eu tento entender, já exausta de tudo, o que ainda faço ali, sem retorno. sujeito daquela ação tão unilateral, e já há tanto. complemento, diversão, entretenimento dele. para ele. parceira de trabalho, companheira de aventuras memoráveis. tratando de acompanhar o esporte de que ele gosta - para ter assunto. descobrindo como fazer culinária de respeito - para ganhar o estômago. aprendendo a gostar daquela música bi-zar-ra - isso para não ofender logo e chamar de freak. concordando que o gosto dele para tudo é o melhor, sem concorrências. invoco todas as forças ocultas para uma convenção de urgência, que elas me tragam boas respostas para tamanho desvario. ai... outro suspiro.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

in wonderland?

há fotografias, muitas delas, por todos os lugares. tentativa de reconhecer a si mesma. de conseguir ver-se ali, refletida, e confirmar que é a daquelas imagens todas. sorrindo, dormindo, abraçando queridos, bebendo um bom café. tentam convencê-la de que nada mudou.

- é tarde! é tarde! é tarde! - diz o chapeleiro maluco.

e alice já não sabe que caminhos tomar.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

quem sou eu? pff.

acho que voltei. é muita inquietação acumulada nesses meses todos pra não falar. não fazia a menor idéia da falta absurda que isso aqui me fazia - até fazer login e ter medo de não lembrar a senha. muita coisa mudou. melhorei, piorei, minha vida melhorou, minha vida piorou. algumas vezes acertei nas escolhas, n'outras cometi erros crassos; dessas cruzes que a gente vai se acostumando a carregar. me afastei das melhores pessoas desse mundo, me martirizei (e ainda o faço) por isso e, se duvidar, até encolhi por conta. sinto uma saudade de mim que não sei nem explicar. mas, ao mesmo tempo, não consigo mais ser outra que não a de agora. a amargura do que a gente vive entranha e não há tempo que volte, amor. agora eu tenho outra rotina, mas não sei até quando. ainda erro por não fazer planos; bobinha, tsc. minha esperança ainda é só uma (a de sempre, bem dizer): que vivamos menos momentos tristes, que o sofrer nosso de cada dia seja minoria (e não, não era pra rimar). que o tempo não me enrijeça os dedos nem o coração. brega, i know, mas se eu dissesse qualquer outra coisa, juro que não ia conseguir dizer o certo. apesar de continuar falando besteira, posso garantir que tenho falado bem menos. pra não magoar, sabe como é (sabe?). aprendi que uma opinião, só por ser verbalizada, pode, além de não servir pra acrescer, só machucar. e o estrago é grande. estou mais educada que antes. só que ainda não consigo beber com adoçante. não desce e machuca o estômago. minha nova paixão são os cubinhos de açúcar. coloco no café que vai para as canecas. e são muitos cubos e muitas canecas. só sei que sou todas as minhas dores, todo o meu amor, tudo o que me acontece(u). leve, pesada; ainda bem que há variações para mais e para menos. abrindo o olho, a cada manhã, imediatamente peço serenidade. já vi muita coisa acontecer e sei que em qualquer desses dias de sol ou de chuva chega minha vez. para o bem ou para o mal, sejamos realistas. serenidade. entendi, enfim, que cada dia sei muito menos. e que, depois que a primeira ruga de preocupação finalmente surge, tudo é festa. o tempo é curto, minha gente. amém.

terça-feira, 8 de maio de 2007

e você nunca esteve aqui.

lembro vagamente. e agradeço por ser assim.

é uma história dessas que deveriam ter uma lacuna, mas não foi o caso.
fui preenchida por quem decidiu não me achar irrelevante. por quem resolveu assumir o erro.
e até quem não errou me tomou para si. incrível, não? você deveria ter aprendido alguma coisa com eles ao longo dos anos. ter assimilado tamanha grandiosidade. ainda não aconteceu.

os presentes nunca foram esquecidos - todos ganhos numa época em que eu achava que lhe ter por perto era o mais importante. em que rasgar um embrulho dado por você era o máximo. o valor, naturalmente, só é percebido aos poucos, no decurso. os mimos de nada valeram, como se imaginava.

nunca houve passeios em que eu pudesse ver o mundo lá de cima, do seu ombro. nunca houve sorvetes ao entardecer, banhos de mangueira enquanto o carro era lavado, idas ao estádio para torcer pelo seu time, que eventualmente seria o meu. nunca existiu aquele passeio inesquecível ao parque de diversões, em que você atiraria no alvo para ganhar um ursinho pra mim - do qual não iria sair de perto. também não tive o carrossel. nele, lá de cima do pônei, eu não sentiria medo; você estaria acenando e mandando beijos enquanto eu girasse. você nunca cuidou das muitas febres. sequer houve mãos entrelaçadas; a sua bem maior que a minha. talvez assim, na minha cabecinha, ficasse claro que a sua proteção seria infalível.


não adianta vir como se pertencêssemos. você nunca vai ouvir o que quer, eu nunca vou precisar pensar em você como parte minha. e aconteceu de eu conseguir viver sem você, sem notar que alguém faltava.

sem anestesia.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

saudade que não cabe.

eu sei, eu sei.
eu fui das pessoas que sugeriu; incentivei também.
só que não sabia que (o coração) ia pesar tanto.



bêibe,
não presta atenção em mim, não.
tenho uma tendência horrorosa a soar ridícula quando a coisa é impactante. tu até já presenciou. fico dramática, carente; um absurdo.

enfim, é só pra reiterar que te desejo toda a felicidade do mundo.
e parece hipérbole, mas não é. que essa nova empreitada dê muito certo, como tem que ser.
tu vai fazer muita falta aqui. muita, só deus sabe o tanto. mas a gente - falo por todos os que te querem bem - vai agüentar firme, pode deixar.

beijo, beijo.
amo tu, eu.

terça-feira, 10 de abril de 2007

birthday girl.

eu sou dessas pessoas estranhas que preferem quando o feriado engole o aniversário.

só consigo sorrir amarelo. inevitável.
ao menor sinal de uma felicitação linda, amável e sincera, a vontade é de virar avestruz.
[vergonha, muita vergonha. muita.]

além do mais, aniversários me dão crises de consciência hor-ro-ro-sas.
passaram-se 23, mas não lembro exatamente a partir de qual deles a tortura psicológica começou.
só sei que virou tradição.

not getting any younger.
not getting any wiser either.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

what the...?!

se tiver alguém aí em cima - ou aqui embaixo mesmo, onde a comunicação parece ser mais facilitada - que possa me explicar o que é exatamente essa série de eventos, juro que...


enfim, paga-se bem.

quarta-feira, 28 de março de 2007

mi casa, su casa.

todo para ustedes.


mais sobriedade, mais leveza, mais objetividade.
na forma, óbvio.

porque o desnorteio literário habitual continua.

fiquem à vontade,
esparramem-se;
esta pocilga é de vocês.

segunda-feira, 26 de março de 2007

eufemismo.

nunca experimentei um amargo tão amargo.
os olhos não dão mais conta de tanta água salgada.
os céus estão cegos e surdos às preces mais humildes.
insensíveis às mais singelas.

se ao menos a lacuna inc. fosse real,
todo o mundo poderia se livrar dessas dores horrivelmente densas.


ouch.

terça-feira, 20 de março de 2007

matriz.

e o coração ficou tão menor que pediu para ser transplantado. esse, reporta o próprio, já não dá mais conta. acabou inchando, desgastado de tanto reparo. desgostoso do tempo que só serviu para maltratar, remendando o que não podia mais ser.

muito foi dito e, disso tudo, pouco se recupera.
e eis que todo aquele amor que nasce no ventre fica pesado, e acaba-se sem saber que rumo tomar, para onde correr.

v for vendetta?
não, nem perto.
mas houve o cisma.
e doeu.

sexta-feira, 2 de março de 2007

após o sinal, deixe seu recado.

no mais, estou indo embora, bêibe.


nunca conseguiu deixar de sentir uma tristeza resignada pelo entardecer. as dezessete e as dezoito horas continham uma melancolia que a atraía sem maiores explicações. pensava no tempo de criança, no escuro, na noite costumeiramente solitária; sempre no mesmo horário. postava-se à janela e observava, quase imóvel, todo o arredor. preparava uma garrafa cheia de café para que pudesse ordenar os pensamentos a cada gole sorvido. como demorava demais em cada, acabava por renovar a xícara fria com muita freqüência. sequer notava as lágrimas escapando, quentes, grossas. sentia uma nesga de dor sem saber propriamente a que se devia. tudo era como deveria ser, afinal. a família estava em harmonia - mantinha-se distante justamente para não quebrá-la -, as contas eram pagas com infalibilidade exemplar, e os amigos não a preocupavam nunca. eram todos bêbados e, destarte, muito felizes. procurava, sem cessar, os motivos para tamanha amargura.

não havia amor, nem pretensões de; esse não lhe fazia falta para a inteireza da felicidade que pensava vivenciar quando não estava a contemplar o ocaso.

sem ambições, achava que era chegada a hora.


só não sabia do que.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

estorvo,

de chico buarque.


chico, me perdoa.
me perdoa mesmo; sério.

mas esse teu estorvo o é, de fato, ave!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

rage against.

e o horizonte nunca foi tão nublado.
passa, tempo, passa.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

e agora, dedé?

ainda não consegui soltar os tais fogos de artifício. não aproveitei as festividades.
acho que fica por isso mesmo. deixa pra próxima.

o desnorteio veio como quem provoca tufão. não avisto a saída, apesar de saber que ela deve estar em algum lugar. não discerni a tempo se... ou não. se... se...
coisas para as quais não há resposta - pelo simples fato de não o terem sido.

que a abstração venha logo, e a galope.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

reset.

voltei.

muito, muito - sei nem reproduzir, ave maria - feliz que o turbilhão acabou, mas meio que perdida, sem saber por onde (re)começar. só sei que não tenho pretensões de falar sobre o ano velho, até porque é uma convenção temporal que nada me agrada. se preferirem, ainda, um comentário que seja, posso dizer que a vida foi bem movimentada nos últimos meses. a roller-coaster ride, indeed.

tá tudo bem, posso reclamar não. não mais. apesar de continuar desempregad(íssim)a.
so maybe i'll join the circus.

antes que me esqueça, deixo beijo na bochecha aos que me toleraram enquanto intragável.
sem dormir, sem comer, sem me divertir, últimos dias de faculdade - realizem. obrigada pela paciência.

de novidade chata, pequenos aborrecimentos advindos de quem já foi alvo de muito respeito e admiração.
mariella é muito fácil de enganar, de fazer feliz, de pôr sorriso no rosto.
e, às vezes, até agradece a deus por essa, digamos, vulnerabilidade.
em outras ocasiões, amaldiçoa tudo o que a faz ser tão alvo, tão facilmente ludibriada.

que ninguém mais faça proveito disso, por favor. nem os outrora muito queridos.
mariella agradece.

[não pense que murmurou baixo o suficiente; ouvi tudo - e tomei um banho de falsidade; encharcou-me toda.]


ai, preciso de uma atividade esportiva.
as carnes gritam de dor a cada subir-e-descer de escadas.
sedentária demais, argh. remediemos.

àqueles que reclamam da minha ausência, volto muito em breve. estar aqui, por escrito, já é um bom começo. as visitas prometidas saem já. mesmo.

chega de acidez. no more tarja preta.

and that's all, folks.

cariño y besos.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

mea culpa.

querido blog,

sinto muito tê-lo abandonado.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

déjà vu? oui.

inconsolável.
imerso num desespero ligeiramente exagerado mesclado com auto-piedade.
meio paralisado, meio atordoado.

achou ruim ter esperado tanto tempo, ter remendado o que não aceitava mais fio.
há desses momentos de definição e transição que perpassam para dar a oportunidade de que se precisa.

ele, infelizmente, não soube reconhecê-lo. não à ocasião.
o fim, sem saída. coerente e sensato aceitar.

entendeu que deixara escapar o que talvez fosse seu sustentáculo para os dias ruins.
os tediosos, vulgares, sem brilho; sem ela.
confessou a si mesmo a perda do futuro anunciado, da felicidade abortada.

sem ela.

como?

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

why so serious?

muitos contratempos, preocupações e intempéries fora de contexto.
tem sido difícil, é fato.

acabou-se o lirismo para criar, acabou-se a disposição para inventar.
e meu mau humor matinal agora dura o dia todo; todos os dias.

[o que salva o dia é o conforto das pessoas queridas e gargalhar com o dono dos olhos miúdos.]

que todos estejam bem.
e melhoras - para o caso contrário.


secret heart; feist.



[thanks, candie.]

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

days of our lives.

un poco de sangre, suor y lágrimas para ustedes, a las ocho de la noche, todos los días.


tenho aparecido pouco, verdade seja dita, mas é a saúde precária que me afasta.
[engraçado. no lugar de saúde, escrevi saudade. fiz a edição aqui. culpa de quem vai embora e me deixa assim. voltem, pelamordedeus.]


alguém me contrata?
o desemprego assola o país, e eu, como cidadã participativa, não fico de fora.
preciso de dinheiro. e eu canto, danço, represento, ensino idiomas, traduzo bem direitinho, sou personal stylist de emergência e adoro comer. pro caso de alguém precisar de gourmand, sabe como é. e quase esqueci de mencionar: curso direito. ierc.
[mas tá acabando, saravá.]


o 'álbum desconhecido' da monophone saiu.
tá lindo que é uma beleza.
bom de ouvir que é uma coisa.


outra notícia boa é o notebook power turbo 3000.
presente de natal antecipado dado por um pouco de piedade, eu acho.


por fim, tem dica.
primeira e única temporada de os aspones.
sensacional.


y eso es todo.
quedamos acá, insones.
besos, muy queridos.
hasta la vista.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

jigar khoon.

ou, ainda, meu coração está sangrando.

imersa nos países do oriente médio por esses dias, pude reafirmar a estupidez das gentes.

afegãos, paquistaneses, tadjiques e sua atual tentativa frustrada de ocidentalização.
o que há, na realidade, é o resquício marginal do regime talibã, disseminado pelo grupo al qaeda, e o terror ainda incrustado nos indivíduos que se submetem aos apelos (e exageros) religiosos; o fundamentalismo.

as mulheres perdem as vidas - mortas por apedrejamento - por um flerte, uma suspeita de traição, ou têm seus olhos furados por não usar a burca. outras têm todo o corpo engessado por meses para assegurar a castidade. aquelas que podem não lecionam nem podem oferecer oportunidade de estudo a seus filhos pela ignorância dos maridos.

em meio à invasão soviética, às constantes guerras civis e à investida da aliança do norte... até quando?


jigar khoon.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

a vida como ela é.

a genialidade de nelson rodrigues preencheu meus últimos dias.
autêntico manual para o savoir vivre.

alerta para o cinismo das gentes, o erotismo que existe - ou não - em cada, o falso pudor de quem vive de imagens e figuras, a maledicência invejosa das senhoras mal amadas, a inocência perdida das raparigas, a malícia da maioria, os costumes arraigados, a nova mocidade corrompida e libertina, os primeiros e últimos amores e casos; um deleite.

é como se o querido rio (de janeiro) fosse aqui.
na vizinhança mesmo, provinciano como ele só.
nos anos 50 e agora. tudo igual.


a vida como ela é.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

only i am to blame.

há dessas situações em que só se pode mesmo fazer uso da fé.
entristece, chora e até esperneia - e nada.
a confiança em si e no resto já foi toda pelo ralo.
e só sobra mesmo a fé, que é, naturalmente, de ordem maior.

o mosaico rachou.
ensaiou um esfarelado triste, que carregou consigo o resquício do que havia de (sentimento) bom.



maus presságios.
inferno astral - parte II.



.to have and not to hold; madonna.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

all saint's eve.


feliz dia das bruxas.


may them all rest in peace.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

release babão.

andré fernandes, cid filho, zé maria, júnior arruda, ricardo donato e bruno brasil. esses são os responsáveis pelo que a contemporaneidade apresenta como sua melhor safra, quando resolve dar o máximo de si. um trabalho meticuloso, refinado, como se para ser degustado. é essa a primeira impressão que se tem ao deleitar os ouvidos (ou seriam os sentidos todos?) com o sensacional “álbum desconhecido”, primeiro cd da banda MONOPHONE.

o resultado das influências de cada um dos seis integrantes - amigos de infância ou de esbarrões em função de suas trajetórias musicais -, é uma miscelânea fantástica, em que o predominante é o bom gosto. concretização fática da esperada mudança de ares na cena onde inicialmente se lançaram - a cearense; amém.

criada em 2005, a MONOPHONE já mostra a que veio. composições fortes, maduras, latentes, desconcertantes. letras sofisticadas para os mais exigentes, estrutura meticulosa para os mais requintados. há quem as aprecie e conheça como se oração diária fosse, de cor. melodia primorosa, nada deixando a desejar aos mais ávidos por boa música.


a batida dançante de “mal me quer”; as verdades cortantes de “no seu lugar”; o apelo suave de “nada resta”; a construção matemática perfeita de “dízimas”; a linda e triste história de “velho salão”; a incógnita de “jung”; a força literalmente bombástica de “20.000 milhas”; a melancolia da “menina só”; todas essas, dentre outras, provas audíveis da qualidade pouco vista na indústria fonográfica brasileira, não nos deixando mentir a respeito do impecável trabalho de criação. afirmação essa que é válida para todo o álbum: uma unidade indefectível.

tendo sido destaque do site especializado trama virtual por duas vezes, o sexteto teve a internet como sua maior aliada, dado seu caráter inegável de fonte extra-oficial. agora, com um material sensacional em mãos e prestes a dividir com o público já cativo o êxito constatado em shows - incluindo-se aí a participação no maior evento de moda do estado do ceará, tendo cedido uma de suas canções para tema de bem sucedida coleção -, e no espaço aproveitado em programas de rádio e televisão, a MONOPHONE prepara uma agenda de shows de divulgação do “álbum desconhecido”. com o perdão do trocadilho infame, ‘desconhecido’ mesmo só a quem estiver tapando os ouvidos a tão boa amostra.



[dica: teste todos os links.]


quinta-feira, 19 de outubro de 2006

the eye of the beholder.

wishful me.
queria que as pessoas não se tratassem com tanta farsa, tanto fair play, tanta dissimulação. que tudo fosse simples, que não houvesse máscaras - que mais parecem totens, de tão fechadas. as entrelinhas a desvendar só serviriam para os sentimentos bons, não para os pequenos, os medíocres. há que se melhorar, há que se respeitar. não sei se essa frustração é advinda da minha fé no que há de bom nas pessoas, na minha incapacidade de desconfiar e aceitar certain feelings que me ocorrem esporadicamente; não sei mesmo. a dúvida é se mudo para cética e cínica ou se persisto na esperança frustrada de quem sempre acredita nas gentes.
e agora? quem poderá me ajudar?

la verdad es que...
hoje fui acordada por um sol furioso, cheio de disposição.
decidi, pois, que precisava cuidar mais da saúde (em virtude de uma sucessão de mazelas horrorosas), através, inclusive, da exposição a esse mesmo sol. bom para os ossos, dizem. o consolo é que encontrei - fruto da misericórdia divina e/ou de um farmacêutico muito consciente dos problemas dos desbotados - o sundown fps 120. estou só sorrisos. branquelos, alegrai-vos!

la santa croce.
como sempre me ocorre quando disponho de muito tempo pra pensar por conta de eventuais enfermidades - em coisas produtivas ou não, ressalte-se -, consegui concluir um raciocínio bom, politicamente correto, e resolvi mudar minha postura em relação a uma situação arraigada em mim há muito. não que eu estivesse agindo errado, não. só estava sendo permissiva, relapsa demais, e isso, sim, reflete negativamente; desventuras em série. assim sendo, essa abnegação cega e obediente vai tomar um outro rumo: o cesto de lixo.
mi dispiace moltissimo, davvero.

queridões, dias bons e muitos beijos.
precisando, estarei aqui.
[casa, comida e roupa lavada.]


eternal life; jeff buckley.

sábado, 14 de outubro de 2006

pardon me?!

Sorte de hoje:
Não deixe que os amigos abusem de você.
Trabalhe com calma e em silêncio.

[ah, não enche.]

chegamos a uma cumplicidade tal que não há quem desfaça. é uma delícia sentir tanto amor, tanta boa vontade, tanta felicidade quando juntos. minhas moças e meus rapazes preenchem minhas doses escassas do que quer que seja, do que quer que me falte de bom. pessoas tão bonitas que chegam a ser exemplares. alguns dos meus amigos deveriam ser transformados naqueles desenhos animados que são modelos de conduta, de tão amáveis, incríveis, dóceis. outros, não menos festejados, dariam um ótimo personagem do adult swim, me entupindo de orgulho e respostas ácidas; geniais, sensacionais, donos de um brilhantismo que não vejo fácil.

e assim quedamos, queridões.
amo vocês - e não abro.


bright idea; orson.

domingo, 8 de outubro de 2006

ainda.

cada vez mais convencida de que, infelizmente, uma (única) palavra errada pode criar um fosso.
de que tijolo estragado pode fazer desmoronar a casa.
de que atos falhos podem, sim, dizer muito sobre alguém.


[essa é a hora do "ou não..."; mas não há nenhum.]



this is the last time; keane